Privatizar o lucro, socializar o prejuízo.
Hoje li na grande imprensa uma matéria criticando a atitude do governo de substituir o presidente do Banco do Brasil, com o objetivo de acelerar a redução dos spreads bancários. Segundo a matéria, uma vez que o banco possui acionistas, a intervenção do governo na estratégia comercial não deveria ocorrer.
A mídia que critica a intervenção do governo em uma empresa lucrativa é a mesma que defende injeções de capital, pelo mesmo governo, nas mesmas empresas, quando ocorre prejuízo. Os argumentos, quando se quer evitar a mão do governo na economia, geralmente apelam ao direito de propriedade e à liberdade negocial. Quando se trata de prejuízos, são os riscos aos empregos e aos depósitos do povo que lastreiam a choradeira.
Os lucros dos bancos são exorbitantes, mas a mídia os chama de exuberantes. São festejados como o resultado da mais pura competência administrativa e do arrojo profissional, pouco importando que os spreads no Brasil sejam os maiores do mundo, que resultem em juros indecentes de 120% ao ano que entravam o crescimento da economia e jogam diariamente milhares de pessoas honestas na inadimplência. Pouco importa também que os bancos sejam os maiores destruidores de empregos da sociedade, e que festejem suas muitas demissões chamando-as de “ganhos de eficiência”.
Os prejuízos não. Pode notar: os prejuízos dos bancos são sempre resultado de contextos adversos, políticas governamentais ou do espalhamento de crises iniciadas em outros países. Nunca por incompetência dos administradores. Na hora do prejuízo, os bancos são sempre vítimas. Vítimas da inadimplência (que argumentam ser causada pela suposta permissividade do Estado com os devedores), vítimas dos altos impostos e dos altíssimos custos trabalhistas e previdenciários (como se realmente pagassem muito às pessoas).
Na hora do prejuízo, a sociedade é chamada a socorrer. Dinheiro dos impostos pagos por pessoas que recebem pouco por suas aplicações e pagam muito por seus empréstimos irão cobrir os rombos de operações malfeitas. Aí, sim, a sociedade é bombardeada com informações sobre a crise, quase fazendo parecer que essas instituições são transparentes.
Não se justifica esse duplo discurso. Se a sociedade tem que empregar esforços para recuperar a economia em tempos de crise, pode e deve desfrutar dos resultados positivos dos tempos de bonança.
O invasor covarde
Onde a mídia noticia uma campanha de defesa contra o terror, eu vejo ataques covardes.
Onde a mídia vende a idéia de um conflito que não acaba, eu vejo uma limpeza étnica.
Será que ninguém enxerga o tamanho da covardia e da brutalidade de que Israel se utiliza na tão falada “campanha contra o terror” na Palestina?
É realmente possível que um país dotado de poderosos aviões, tanques e helicópteros, um exército numeroso e altamente treinado, armas modernas e potentes (inclusive de destruição em massa) e fartamente irrigado de dinheiro norte-americano considere uma ameaça um país de território não contíguo, com uma população pobre e ignorante, sem instituições e sem poder de fogo que ultrapasse meia dúzia de AK-47 e alguns mísseis “kaxuxa”?
A mídia vende, em um grande esforço de propaganda, uma idéia de equivalência entre as partes em termos de poder de fogo ou de perigo. É como se a existência de Israel estivesse de fato correndo risco ali, a ponto de justificar tamanha brutalidade.
Parece-nos normal o uso de tanques e helicópteros contra paus e pedras, ou a destruição de escolas e hospitais onde se encontrem crianças e idosos pela simples suspeita da presença de um suposto terrorista entre eles.
Por que o mundo deixa que isso aconteça? Porque as pessoas temem o pior de todos os palavrões que o mundo já viu: “ANTI-SEMITA”.
Discordar de Israel é grave. É anti-semita. É equivalente a ressucitar o nazismo e jogar todo um povo na câmara de gás. Ninguém quer ser anti-semita. É melhor ser canalha, imbecil ou filho-da-puta.
Por isso, é mais fácil dizer que a questão é de “difícil solução”, ou que “é importante que os dois lados tenham consciência”, ou ainda que é importante “orar para que os conflitos tenham fim”. Tudo que não envolva assumir, sem hipocrisia, uma posição a favor de uma nação em frangalhos, cujo povo está sendo dizimado por bombas, doenças, fome e sede só porque alguns ousam resistir ao covarde invasor.